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Através de uma aprendizagem global, desde os fundamentos do funcionamento do corpo humano à importância dos relacionamentos na construção da personalidade, passando pelos bons hábitos, visa permitir-lhe assumir o controlo sobre a sua saúde e bem estar.

Lições

O nosso corpo: uma verdadeira maravilha

Introdução

Já reflectiu sobre o que se produziu no seu corpo durante a noite passada? Estava cansado, esgotado e, no entanto, esta manhã ei-lo fresco e bem disposto. De onde vem esta força admirável que trabalha secretamente e sem interrupção? O corpo humano ainda não parou de nos maravilhar. A circulação do sangue, por exemplo, está mais bem concebida na sua complexidade extrema do que o mais aperfeiçoado sistema de irrigação concebido por engenheiros. A sua organização é notável, mas mais admiráveis ainda são as interacções múltiplas que ela desencadeia no seu percurso. A circulação adapta-se por, si mesma, como se tivesse uma espécie de inteligência que lhe fosse própria. Quando se produz uma hemorragia, não podendo satisfazer todo o organismo, o sangue serve em prioridade os órgãos essenciais: o cérebro, os rins, o fígado.

Ao mesmo tempo, a frequência cardíaca acelera-se. Na realidade, todos os vasos sanguíneos estão permanentemente sob o controlo do cérebro.

Partem dezenas de milhares de ordens das diversas zonas cerebrais para as glândulas produtoras de hormonas (estas substâncias, uma vez no sangue, servirão para a regulação da frequência cardíaca, da tensão arterial e da circulação). Outras vão para todas as partes do corpo para poderem assegurar a continuação da vida. Nos sistemas respiratório, nervoso e cardíaco; nos tecidos, nos ossos, nos órgãos – fígado, rins, glândulas – etc., milhares de células, centenas de regulações, secreções, transportes, defesas, eliminações, estão constantemente em acção. Esta actividade escapa totalmente ao controlo do nosso pensamento. A nossa vontade não desempenha aqui nenhum papel. Entretanto, a orquestração de todo o conjunto de uma complexidade inimaginável atinge a perfeição.

Esta força secreta, agindo em nós, é muito simplesmente a vida. É o elemento misterioso e extraordinário que surge por todo o lado ao nosso redor na natureza. A sua origem ultrapassa-nos, mas este curso vai ajudá-lo, assim o esperamos, a decifrar algumas das suas extraordinárias manifestações. Ele vai permitir-lhe também adquirir alguns conhecimentos essenciais para a manutenção da sua saúde.

Células bem organizadas

O nosso corpo é composto por biliões de células. Elas estão separadas umas das outras por pequenos espaços que permitem ao fluido extracelular passar livremente. Assim, cada célula está continuamente banhada numa corrente nutritiva que a mantém viva e operacional. Esta corrente nutritiva circula entre as células, as veias e as artérias permanentemente. Ela arrasta numerosas substâncias químicas que foram transportadas pelo sangue. Muitas chegam dos órgãos digestivos, outras são produtos fabricados pelas diferentes glândulas. Enquanto o líquido extracelular circula através dos diferentes tecidos e órgãos, cada célula vai tirando dele, aquilo de que tem necessidade e rejeita o resto. Ela tem, com efeito, a capacidade de escolher o que é melhor para ela.

Uma das funções importantes desta corrente nutritiva consiste em desembaraçar o corpo dos resíduos produzidos pelas células. Estes resíduos são em seguida lançados no sangue e finalmente eliminados pelos pulmões, rins e pele.

Estas duas funções, nutritiva e de limpeza, são essenciais à vida.

Temos ar condicionado

Vejamos agora, como é que o oxigénio, outro elemento indispensável à vida, chega às células.

Quando inspiramos, os nossos pulmões dilatam-se e o ar enche todos os alvéolos pulmonares. O oxigénio do ar é assim levado ao contacto quase directo com o fluxo sanguíneo. A troca do dióxido de carbono com o oxigénio do ar faz-se então através da fina membrana dos capilares. Esta inspiração do ar provoca um aumento da pressão pulmonar que ajuda o sangue a voltar ao coração. O ar que passa nos pulmões deve, primeiramente, ser purificado e depois aquecido e humidificado. Sem esta precaução, a traqueia tornar-se-ia rapidamente seca e irritada. É o que se passa quando se respira muito tempo pela boca. Faça a experiência correndo com a boca aberta. Se o tempo estiver frio, sentirá uma dor no peito. Em contrapartida, respirando pelo nariz, sentir-se-á muito melhor. Respirar pela boca não é normal. Isso resseca os tecidos das vias respiratórias e altera a estrutura delicada dos pulmões. Podem resultar daí graves problemas respiratórios, em particular nas pessoas idosas.

Um sistema de filtragem

Existem outras razões pelas quais é preciso respirar pelo nariz. O ar, tal como nós o respiramos, geralmente contém uma grande quantidade de gases, poeiras e micróbios. Ele deve ser filtrado antes de chegar aos pulmões. Se isto não acontecer, a via fica aberta a infecções: anginas, pneumonias, etc.. Para evitar estas situações e o entupimento dos bronquíolos mais pequenos (os canais respiratórios mais pequenos) está previsto um sistema eficaz de filtragem e depuração do ar no nosso organismo.

Começa pelo nariz. Os pequenos pêlos húmidos que aí se encontram ajudam a reter uma boa parte da poeira. Na parte mais profunda do nariz, o ar humidifica-se e aquece segundo as necessidades dos pulmões. Pensa-se que seja um pouco mais de um litro por dia, a quantidade de água acrescentada ao ar que nós respiramos. Em períodos quentes e secos, utilizamos mais, como é de supor, sendo um bom equilíbrio hídrico importante também para o bom funcionamento deste sistema.

Os olhos dão igualmente a sua contribuição para esta humidificação. Depois de ter banhado o globo ocular, o fluido lacrimal passa pelos canais lacrimais e desce pelo nariz, onde ajuda a humidificar e purificar o ar inspirado. Por isso mesmo, as nossas lágrimas que não são utilizadas desempenham uma função!

No momento em que o ar inspirado atinge a parte superior da traqueia e qualquer que seja o grau higrométrico da atmosfera, a sua humidade relativa aproxima-se dos 90%, o que equivale à humidade do ar atmosférico em tempo de chuva.

Se uma parte do nariz está entupida, estas funções de humidificação do ar e de filtragem ficam seriamente comprometidas, o que pressupõe, também, que o tratamento deve contemplar esta vertente.

Um sistema de depuração

Os pêlos húmidos do nariz só filtram uma pequena parte das poeiras. A outra parte penetra na traqueia. Por isso, todas as vias respiratórias estão revestidas de uma membrana mucosa especial. Este tecido muito frágil está atapetado de células com cílios vibráteis que impelem as poeiras para cima, protegendo deste modo os pulmões. Além disso, pequenas glândulas segregam uma camada de muco viscoso que cobre toda a mucosa e que “agarra” as referidas poeiras.

Os cílios fazem avançar esta camada de muco à velocidade de 1 cm por minuto, como se se tratasse de um tapete rolante, para a parte de trás da garganta. Nesta deslocação, o tapete de muco arrasta consigo as bactérias e partículas que caíram sobre ele. Qualquer resíduo que poderia encontrar-se colado sobre a camada de muco, é transportado de maneira tão rápida que não tem tempo para agir. Em seguida, é aglutinado ou expelido pela expectoração. Este muco renova-se completamente todos os 15 a 20 minutos. Enquanto este sistema funcionar perfeitamente não haverá riscos acrescidos de infecção. É por isso que as pessoas de boa saúde podem estar em contacto com um ambiente infeccioso, sem correrem os mesmos riscos que todos os que padecem de alguma doença têm. É evidente que não estão isentos, mas os riscos são menores.

Uma importante “empresa de transporte”

Nos nossos pulmões, as paredes dos alvéolos pulmonares estão revestidas literalmente de capilares (vasos sanguíneos da espessura de um cabelo e que transportam sangue oxigenado - arterial).

O oxigénio do ar inalado passa directamente através das delgadas paredes dos capilares e vai fixar-se sobre os glóbulos vermelhos que mudam de cor, a saber, da cor púrpura para o vermelho cereja. Ocorre o contrário quando os glóbulos vermelhos atingem as células dos diversos tecidos e delas absorvem o dióxido de carbono.

O sangue não é completamente líquido. Mais de 50% do seu conteúdo é constituído por células vermelhas e brancas chamadas glóbulos. Os glóbulos brancos (leucócitos) são valorosos defensores do corpo enquanto os glóbulos vermelhos (hemácias) captam o oxigénio nos pulmões e o transportam até aos tecidos onde o trocam pelo dióxido de carbono. Este produto constituído por resíduos de vida celular é transportado aos pulmões, de onde será expelido pela expiração.

Normalmente os glóbulos vermelhos permanecem sempre nos vasos. O mesmo não acontece com os glóbulos brancos que têm a particularidade de poder mudar de forma, a fim de atravessarem as paredes dos capilares para combaterem as infecções, nos locais onde os tecidos estão em perigo.

O plasma, ou a parte líquida do sangue, tem uma função diferente. Transporta não só os glóbulos mas também os elementos nutritivos necessários aos órgãos. Assim, cada célula do corpo é estritamente dependente deste tecido líquido que é o sangue. Pequenas cargas eléctricas produzidas pelas partículas químicas que existem nas células ajudam à transferência e absorção dos nutrientes, assim como à expulsão dos resíduos. Estes passam através das paredes das células para o líquido extracelular, que drena através do circuito linfático (um sistema especial de pequeníssimos vasos) para o sangue. Este, por sua vez, transporta-os para o coração que, através da corrente sanguínea, os envia para os órgãos filtradores e eliminadores das toxinas.

As exigências do corpo aumentam quando este passa do repouso ao esforço físico. Para responder a estas exigências, a circulação do sangue acelera. Ao mesmo tempo, as toxinas são produzidas com maior rapidez e devem ser eliminadas do mesmo modo. Se este processo de eliminação deixar de funcionar convenientemente, os resíduos acumulam-se e provocam cansaço. Podem aparecer dores a nível dos músculos e das articulações. Então, um período de repouso e sono é necessário para restabelecer um bom equilíbrio do organismo. Se o repouso for negligenciado, segue-se um estado de esgotamento que, a manter-se, poderá provocar doenças. Portanto para nos mantermos em forma, torna-se necessário respeitar um bom equilíbrio entre o nosso tempo de trabalho e de repouso.

A actividade eléctrica das células

A maior parte das células só é visível através do microscópio. Cada uma delas é uma maravilha, quando consideramos as suas actividades eléctricas e químicas. Pensa-se que, no interior desta estrutura microscópica, existem mais de mil processos electroquímicos simultâneos. Em cada célula encontra-se uma multidão de elementos, em actividade incessante. É uma unidade de vida por si só. Entretanto, ela é influenciada pelas células vizinhas, desempenhando todas um papel necessário para o bom funcionamentos dos nossos órgãos.

A renovação do sangue

Vimos como o sangue se desembaraça do dióxido de carbono ao nível dos pulmões.

Consideremos agora as vias de transporte dos outros resíduos celulares, chamados metabolitos. Este trabalho importante é efectuado pelo fígado e pelos rins. São eles que estão incumbidos de conservar o sangue puro e de opor uma barragem às substâncias tóxicas.

Situados de cada lado da coluna vertebral, atrás do abdómen, os rins realizam um trabalho considerável tendo em conta o seu tamanho.

Cada rim pesa 150 gramas e, no entanto, circula neles dez vezes mais sangue do que em qualquer outro órgão. São eles que determinam o que deve ser conservado ou eliminado.

O interior dos nossos rins é composto de cerca de 225 km de minúsculos canais. Existem mais de 2 milhões de canais, com cerca de 1 centímetro e meio de comprimento. Na entrada de cada canal encontra-se um filtro, constituído por um novelo de capilares (o glomérulo de Malpighi). Cada canal e o seu “filtro”, chamados no seu conjunto nefrónio, não são simples tubos. Têm uma estrutura celular muito complicada, permitindo-lhes separar as substâncias químicas vitais. Qualquer substância de que o corpo não possa prescindir é reenviada para a circulação sanguínea. Como numa fábrica, alguns materiais são recuperados e outros que são inúteis são eliminados. Numa hora, os dois rins filtram a totalidade do sangue do nosso corpo. E se pensarmos que os nossos rins filtram cerca de 150 litros de sangue em 24 horas e apenas 1 litro aproximadamente é eliminado, é perceptível o trabalho silencioso, mas imenso, dos nossos rins, o qual permite, assim, que todo o sistema electroquímico permaneça em homeostase (equilíbrio).

Os segredos da saúde

A vida do corpo depende da saúde e da vitalidade de todas as células. Estas dependem, por sua vez, da qualidade dos nutrientes enviados pelo líquido extracelular. Se este ambiente estiver contaminado, as células podem adoecer e morrer.

Esta contaminação tem numerosas e diversas causas. Os excessos de qualquer espécie e mesmo o mau (feitio) podem contribuir para isso. Em contrapartida, evitando-os, conservamo-nos fortes e com boa saúde. As doenças infecciosas terão menos poder sobre nós. Tudo depende do género de vida que escolhermos. Muitas vezes somos, nós próprios, os principais responsáveis quando adoecemos.

No princípio do século XIX, o Dr. Phillippe Semmelweis, admirado com a mortalidade que grassava na maternidade de Viena, na Áustria, chegou à conclusão de que a má higiene poderia estar na origem deste flagelo. Teve então a audácia de prescrever aos estudantes de medicina do seu serviço, que lavassem as mãos com uma solução de cloreto de cal, antes de examinarem as parturientes. A mortalidade pela febre puerperal, que tinha atingido valores próximos dos 90%, caiu para os 27%. A higiene é, portanto, uma prevenção eficaz da doença.

A corrente de vida que circula no interior do nosso corpo deve ser preservada de todos os elementos que possam afectá-la e transformá-la em “corrente de morte”. Assim sendo, ela será um verdadeiro “rio” de saúde e vida. Isto implica um programa que inclui: muito ar puro; uma alimentação saudável; água pura; repouso suficiente; exercício físico e sol, tudo isto “temperado” com uma boa dose de bom senso!

Se este equilíbrio natural, que se chama também temperança, for respeitado, isso ajudar-nos-á a ultrapassar, ou mesmo a evitar, a doença e a viver plenamente.